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Entrevista - Mário Cardoso
Consumidor deve pesquisar para comparar preços até mesmo dos medicamentos genéricos. Eles foram criados para facilitar a vida de quem tem um doença crônica mas nem todos os fabricantes estão atendendo a determinação do Governo e é preciso ficar atento. Foi o que disse o farmacêutico Mário Cardoso que também é assistente-técnico do Procon em entrevista ao Poupetempo.
Poupetempo: O nome genérico é sinônimo de preço menor ?
Mário Cardoso: Esse tipo de medicamento foi criado para chegar ao mercado de 30 a 40% mais em conta. Ele é mais barato porque se trata de um medicamento conhecido, muito receitado e, em geral, de uso prolongado, no tratamento de doenças crônicas e o fabricante não tem de gastar com propaganda para vender o produto. Só que as farmácias, vendo que a demanda cresceu, aumentaram seus preços. Além disso, vários laboratórios estão autorizados pelo governo a produzir um mesmo genérico, e os preços variam conforme o fabricante.
Poupetempo: Ou seja, quem não gasta sola de sapato e pesquisa antes de comprar genéricos pode pagar mais ?
Mário Cardoso: Sim, portanto, todos devem pesquisar preços para não pagar mais do que se estivesse comprando um remédio de marca famosa. O genérico tem a mesma fórmula e o mesmo efeito no organismo humano do os medicamentos de griffe, chamados tecnicamente de remédios de referência.
Poupetempo: Como identificar o medicamento genérico ?
Mário Cardoso: A lista de genéricos já autorizados pelo governo tem de estar no balcão de todas as farmácias do país. No rodapé da lista está a data de publicação. O consumidor deve verificar se está consultando uma relação atualizada. Sai uma lista nova toda segunda-feira. Outra fonte de consulta é o site do Ministério da Saúde na Internet, no endereço eletrônico www.saude.gov.br É possível ainda obter o nome dos genéricos e seus fabricantes pelo telefone 0800-61-19-97.
Poupetempo: O consumidor pode denunciar quem vende medicamento genérico acima do preço ?
Mário Cardoso: Esse telefone 0-800-61-19-97 serve inclusive para o consumidor denunciar farmácias que não vendem ou tentam esconder os genéricos. Também aquelas que estão cobrando mais caro pelo genérico do que pelos demais tipos de medicamentos.
Poupetempo: Como o Governo prentede agir para inibir esses abusos ?
Mário Cardoso: O Ministério da Saúde e Procons de todo o país estudam a adoação de um convênio para fiscalizar reajustes indevidos de preços de remédios. O foco principal são os genéricos que estão ficando caros sem qualquer justificativa. Em alguns casos, os preços estão tão altos que nem os postos de saúde, que só podem distribuir genéricos, conseguem efetuar as compras.
Poupetempo: É fácil para consumidor encontrar genéricos ?
Mário Cardoso: Esse serviço ainda precisa melhorar. Hoje, menos de 10% dos 130 genéricos já autorizados pelo governo são encontrados com facilidade no varejo.
Poupetempo: Qual a diferença entre medicamento genérico e similar ?
Mário Cardoso: O consumidor deve tomar cuidado para não confundir os remédios na hora da compra. O genérico é pré-testado, o que garante que o efeito no seu organismo vai ser o mesmo de um medicamento de referência. O similar tem a mesma fórmula, mas não passou pelos testes, e um simples modo diferente de fabricação pode trazer danos à saúde. Para reconhecer o genérico, o consumidor deve olhar a embalagem, onde tem de estar escrito medicamento genérico de acordo com a lei 97 87. Outro detalhe é prestar atenção na dosagem: um remédio de marca famosa de 10 miligramas não pode ser trocado por genérico de 5, por exemplo.
Poupetempo: Todos os medicamentos fabricados no país terão seu genérico ?
Mário Cardoso: O Governo está autorizando laboratórios a fabricarem remédios genéricos conforme uma lista de prioridades. A princípio estão sendo liberados os medicamentos de uso contínuo, ou seja, para doenças crônicas. A seguir vêm os remédios para combater patologias freqüentes como gripe ou dor-de-cabeça e problemas gastrintestinais. Só bem mais tarde serão comercializados genéricos de fabricação complexa, como os hormônios. E por fim, os moderadores de apetite.